Postado Por: Giovanni Crippa Data da Postagem: setembro 16, 2018

SETEMBRO: MÊS DA BÍBLIA

A cada ano a Igreja Católica no Brasil dedica o mês de setembro à Bíblia propondo um livro ou um texto bíblico para ser estudado e meditado

Neste ano, vamos estudar os seis primeiros capítulos do livro da Sabedoria com o tema: “Para que n’Ele nossos povos tenham vida” e o lema: “A sabedoria é um espírito amigo do ser humano” (Sb 1,6).

O livro da Sabedoria, escrito no final do período do Antigo Testamento, não faz parte do Cânon judaico (da Bíblia hebraica) nem, mais tarde, no Cânon das igrejas protestantes. Atribuído a Salomão, na verdade este livro foi escrito por um judeu de Alexandria, no Egito.

Os destinatários são membros da diáspora judaica que, em contato com o ambiente helenístico, correm o risco de ceder à idolatria e sofrer perseguição por parte dos pagãos.

O livro da Sabedoria é uma reflexão sobre a ação de Deus e do homem, toda inspirada na tradição bíblica e destinada a fortalecer a fé e a esperança dos numerosos judeus que se instalaram em Alexandria no Egito, onde já no século II a. C. vivia uma próspera comunidade judaica.

O autor, percebendo a forte influência que as principais filosofias helenísticas e as diversas religiões exercem na vida dos seus irmãos de raça e de fé, tenta estabelecer um diálogo entre fé e cultura grega. O texto propõe como modelo de vida e comportamento as duas figuras características dos escritos sapienciais: o justo (ou sábio), imagem do crente israelita, fiel às tradições dos pais e o ímpio (ou tolo), imagem dos pagãos e dos idólatras.

A primeira parte do livro (capítulos 1-5) enfoca as figuras do justo e do ímpio, que aparentemente levam a mesma existência. Mas enquanto os justos seguem as indicações de sabedoria, os ímpios seguem seu próprio projeto, que visa o sucesso e a riqueza. A morte e o julgamento de Deus revelarão o destino de ambos: o justo está destinado à felicidade, o ímpio ao castigo.

A segunda parte (capítulos 6-9) inclui uma profunda reflexão sobre a sabedoria, que por um lado é inspirada pela cultura grega dominante (como evidenciado pelos atributos com os quais a sabedoria é descrita em 7, 22-23), por outro já é uma anticipação da apresentação que fará o NT. A sabedoria não é mais apenas um atributo divino, mas aparece aqui como uma pessoa muito próxima de Deus, em íntima relação com ele e com sua ação.

A terceira parte (capítulos 10-19) é uma releitura da história bíblica e, mais particularmente, dos eventos que caracterizaram a saída dos israelitas do Egito. O povo de Israel é apresentado como o modelo daqueles que acolhem a sabedoria e são guiados por ela, até alcançar a salvação; os egípcios, por outro lado, representam aqueles que estão fechados a ela e vão em direção à ruína e à morte.

Para nós, cristãos, a Sabedoria não é um conjunto de ideias, uma filosofia ou um mero conhecimento. A Sabedoria é uma Pessoa: Cristo. Quem se encontra com Cristo e se deixa orientar por Ele e por sua Palavra é sábio.

Querido irmão e irmã, procure abrir o seu dia com a escuta e a meditação da Palavra. Faça da escuta da Palavra uma experiência cotidiana de Deus!

Quando a Palavra é lida-escutada-meditada-rezada, ela vive em nós e nós nela, a nossa vida torna-se sempre nova em Deus.