Postado Por: Giovanni Crippa Data da Postagem: outubro 4, 2018

Evangelho da paz

Enviados para testemunhar o Evangelho da paz

Em continuidade com a Campanha da Fraternidade que nos convidou a refletir sobre a superação da violência, a Campanha Missionária 2018 nos propõe o tema “Enviados para testemunhar o Evangelho da paz”.

A Igreja – ensina o Concílio Ecumênico Vaticano II – “é, por sua natureza, missionária” (AG 2). Esta afirmação do decreto conciliar Ad gentes lembra que a missão tem sua origem em Deus Trindade que é Amor que não se contem, que transborda, que se autocomunica. A missão nasce deste “amor fontal” do Pai, que envia o Filho, que envia o Espírito, que envia a Igreja.

A Igreja nasceu para ser enviada e sua missão não tem confins, é para o mundo inteiro. A ela compete anunciar o Evangelho às pessoas que já o conhecem, mas sem esquecer que deve chegar a todos os povos.

A consequência desta missionariedade é que a Missão é essencialmente eclesial e que Igreja e Missão constituem uma unidade inseparável; uma sem a outra resultaria numa contradição inaceitável. Ela, como “grão de mostarda”, “pequeno rebanho”, é chamada a ser sacramento da salvação para toda a humanidade. É católica por natureza enquanto sinal da presença de Cristo nela.

Anunciar Jesus Cristo não é apenas mais uma atividade entre muitas outras desenvolvidas pela Igreja, mas a sua razão de ser. A Igreja existe enquanto é “enviada”. A missão é prioritária no que diz respeito à Igreja. Não é a Igreja que faz a missão, mas é a missão que constitui a essência e o rosto da Igreja.

A Igreja missionária, povo de batizados, “sal da terra e luz do mundo” (Mt 23, 8) deve tomar consciência que, como comunidade de fé, é formadora dos discípulos missionários através do itinerário de Iniciação à Vida Cristã. Como a missão define a essência e o fundamento da Igreja, o ser missionário define o ser cristão. Todos os batizados são chamados a ser um povo missionário, a caminho, para partilhar a sua fé.

O Papa Francisco, na exortação apostólica Evangelii gaudium, retomou as conclusões de Aparecida quando afirmou que quer uma Igreja “em estado permanente de missão” (DAp 551). Uma Igreja em saída, de portas abertas, que vai em direção aos outros para chegar às periferias humanas e acompanhar os que ficaram caídos à beira do caminho.

Os cristãos são portadores da graça batismal e participantes do sacerdócio comum, fundado no único sacerdócio de Cristo. O chamado a ser cristão (no batismo) que precede o convite de Jesus: “vem e segue-me,” tem seu último desdobramento no imperativo: “vai”. A missão pertence à iniciação cristã e nós somos cristãos na medida em que nos sentimos destinados a testemunhar o evangelho.

A missão nasce do amor, do amor que cada um de nós tem para com Jesus, com o olhar aberto ao mundo, ao outro. Tanto mais amamos Jesus, tanto mais sentimos a necessidade de falar dele. A missão é uma dimensão do meu ser cristão; a missão não poder ser feita por outra pessoa, mas por mim porque ela é a medida do meu amor para com Jesus. Se nós não fizermos missão não poderíamos ser considerados cristãos. Se eu não me sentir impulsionado a tornar visível o amor que sinto para Jesus, aquele amor não pode ser verdadeiro.

Este Ano Nacional do Laicato é um convite para os cristãos leigos e leigas, a serem sujeitos numa “Igreja em saída”, a serviço do Reino, colocando a disposição seus carismas, serviços e ministérios para o bem da comunidade.

Desde a promulgação do Decreto Ad gentes, até a exortação Evengelii gaudium, a missão assumiu novos rostos, mas nunca parou. A palavra “missão” tornou-se sinônimo de: “saída”, “portas abertas”, “periferias”, “colocar-se a caminho”, “encontrar”. Na verdade, a Igreja não sabe fazer outra coisa, senão anunciar o Evangelho.

Muita estrada resta-nos ainda a percorrer para sermos fieis a esta vocação para termos sempre – como dizia o bem-aventurado José Allamano, fundador dos Missionários da Consolata – “a missão na mente, na boca e no coração”!