Postado Por: Raul Muller Data da Postagem: janeiro 11, 2019

Carta Pastoral 2019

 
“REVESTI-VOS DA CARIDADE”
 
 
Carta Pastoral para o Ano da Caridade 2019

Amados irmãos e irmãs,

Tendo em vista o Ano da Caridade, que irá nortear acaminhada pastoral da nossa Diocese em 2019, quero dirigir-me a cada um e a cada uma de vocês exortando-vos com asmesmas palavras do apóstolo Paulo«Revesti-vos dacaridade» (Col 3, 14)e convidando-vos a perseverar noanúncio e no serviço ao Reino de Deus.

1. No principio a Caridade

O amor perpassa tudo, toda realidade humana e divina.O amor está no centro do cristianismo, o qual é proclamaçãodo amor de Deus por seus filhos, e busca dos filhos quelevantam seus olhos para o céu, tendo em vista encontraraquele Amor que sentido à vida. A caridade é o amor deDeus em nós que nos impulsiona a amar como Deus ama.

A caridade está no começo da existência da Igreja,gerada pelo dom do amor trinitário, é a alma profunda e osopro de sua vida e se oferece em seu caminho como a metapela qual se deve lutar. A Igreja que nasce da Trindade e tendepara a pátria trinitária, é a Igreja da caridade, que é suscitadapelo amor e vive do amor, para alcançar a Jerusalém do céu,onde o amor nunca terá fim”.

O amor – o serviço da caridade – é, e será sempre, uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e “expressão irrenunciável da sua própria essência”.

2. e Caridade: uma unidade inseparável

“A sem a caridade não frutos e a caridade sem a seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. eCaridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que umaconsente à outra realizar o seu caminho”.

A história da Igreja é umahistória de amor,amorrecebido de Deus que deve ser levado ao mundo. O amor é ocoração pulsante da nossa vida e do nosso testemunho, ocentro do anúncio de fé: «Deus é amor» (1 Jo 4, 8.16). Deusnão tem simplesmente o desejo ou a capacidade de amar;Deus é caridade: a caridade é a sua essência, a sua natureza.Ele é único, mas não é solitário; não pode estar sozinho, nãopode fechar-se em Si mesmo, porque é comunhão, é caridade,e por sua natureza a caridade comunica-se, difunde-se.“Caridade e misericórdia estão assim estreitamente ligadas,porque são o modo de ser e de agir de Deus: a sua identidadee o seu nome. Qualquer forma de amor, de solidariedade, departilha é um reflexo daquela caridade que é Deus. Ele,sem nunca se cansar, derrama sobre nós a sua caridade e nóssomos chamados a tornar-nos testemunhas deste amor nomundo”.

Quem está apaixonado por Cristo, vive dele e o anuncia,testemunhando a caridade em cada gesto e palavra.

3. Caridade e seguimento de Jesus

Diante das angústias de todos os tempos e dos rostossofredores de cada ser humano, temos a missão de comunicara vida de Cristo a todos. Devemos fugir da tentação de querer“ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas doSenhor”.

A Igreja é chamada e desafiada continuamente a dar umrosto ao coração de Cristo, amor encarnado que pulsa nela.

Jesus fez em tudo a escolha dos pobres, está presenteneles e nos chama a amá-los. O Papa Francisco, afirma que aopção preferencial pelos pobres não é uma categoriasociológica ou cultural, mas teológica, lembrando o que disseo Papa emérito Bento XVI na abertura da Conferência deAparecida, de que esta opção está implícita na cristológica,de modo que não se pode seguir Jesus sem fazer esta opção eque ela deve perpassar transversalmente todas as estruturas eprioridades pastorais. Os pobres estão no centro da nossaatenção e do nosso amor?

“Jesus nasceu pobre, viveu como pobre e morreu pobre.Somos uma Igreja pobre e serva dos pobres? Nós nosesforçamos para viver a sobriedade, a simplicidade, ahumildade, sendo solidários em suas necessidades e em suasprovações?

«Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: sevos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35). A caridade é viva ereconhecível nos nossos relacionamentos fraternos, como nasdiferentes formas de compromisso com os outros? Escutamosos pobres, os pequenos, os fracos, os jovens, os idosos, asfamílias em dificuldade? Nas nossas paróquias, os pobresestão presentes apenas como “destinatários” dos váriosserviços ou são parte ativa da vida da comunidade?”

4. O Ano da Caridade

O ano da Caridade é uma oportunidade para fazermosmais intensamente a experiência de fé, vivendo o testemunhoda caridade na Igreja e na sociedade.

Na Evangelii gaudium, o Papa Francisco convida-nos aser uma Igreja missionária em saída, sensível à dimensãosocial da evangelização e ao valor da Doutrina Social daIgreja, para construir uma nova sociedade mais caridosa esolidária.

Como Diocese de Estância, iluminados pela Palavra doSenhor (2016 Ano da Palavra), tendo reafirmado o nossocompromisso de discípulos missionários do Ressuscitado(2017 Ano da Missão), queremos nos comprometer paratransformar a realidade à luz do Reino de Deus (2019 Anoda Caridade).

a) Os protagonistas da Caridade

Todos na Igreja são chamados a ser testemunhas eprotagonistas da caridade.

“O bispo e os sacerdotes devem viver a caridade comoalimento decisivo e forte sinal da credibilidade do seu serviço,caminho necessário para a formação da comunidade e de cadabatizado.

As religiosas, consagradas a imitar Cristo na pobreza e aamá-lo servindo os pobres de maneira especial, vivamfielmente sua vocação para a caridade, o que torna credível eatraente sua consagração a Deus com um coração indiviso.

Finalmente, a caridade deve ser o sinal doreconhecimento de toda pessoa batizada: todos os fiéissentem-se chamados a colaborar nas iniciativas da caridade daIgreja na medida de suas capacidades e possibilidades e aresponder generosamente a esse chamado”.

Podemos dizer que nos esforçamos para alcançar essechamado? Estamos todos comprometidos em promover eapoiar as obras de caridade presentes em nossa Diocese?

b) Propostas para Ano da Caridade

As paróquias, os movimentos e demais associações sãoconvidados a reverem suas ações a fim de motivar a práticapessoal e comunitária da caridade;

Organizar visitas às instituições de Caridade presentesna Diocese;

Fortalecer as Pastorais Sociais: Cáritas, Pastoral daCriança, Pastoral do Menor, Pastoral Carcerária, Pastoral daPessoa Idosa, Pastoral do Surdo, etc.;

Articular a Campanha da Fraternidade (“Fraternidade epolíticas públicas”) e o Grito dos Excluídos;

Reorganizar a Cáritas, para que se torne uma expressãomais eclesial, presente e atuante em todo o território da nossaDiocese;

Fortalecer o Setor Juventude em todos os níveis;

Articular o Conselho Diocesano de Leigos e Leigas.

5. Pedir o dom da Caridade

Queridos irmãos e irmãs, esse amor/caridade nos tocavivê-lo no “sábado do tempo”, isto é, na atitude de esperar porsua plena realização, como indivíduos e como comunidadeeclesial quando, na Jerusalém do céu, o amor nunca terá fim.

Venha em nosso socorro a Virgem Maria, mãe do Amorencarnado, e testemunha da caridade na visita a Isabel, nasbodas de Caná e aos pés da cruz.

À Trindade Santa, dirijamos nossa súplica: Deus de amore misericórdia, dai-nos experimentar continuamente o vossoamor de Pai. / Que o vosso Filho, Jesus Cristo, amorcrucificado, nos torne capazes de ternura e compaixão. / Queo Santo Espírito, sopro do amor eterno, acenda em nós acaridade sincera e o amor fraterno. / Livrai-nos da omissão edo comodismo. / Afastai de nós a tentação de querermos sercristãos distantes das chagas do Senhor. / Que em nossa Igrejapulse sempre o coração de Cristo, amor encarnado, que nosamou até o fim. / Amém!

Estância, 03 de novembro de 2018, memória de São Martinho de Porres

Dom Giovanni Crippa, IMC

Bispo de Estância