Postado Por: Giovanni Crippa Data da Postagem: dezembro 6, 2018

ADVENTO: TEMPO DE ESPERA.

 

As esperas
Nossa vida é uma espera. De fato, ela está inserida no tempo que é espera e construção de realidades futuras. A vida é tal quando é vivida na espera: somente um morto não espera.

Existem, porém, diferentes tipologias de espera.

A espera
A mensagem cristã é a proclamação da vinda de um Outro na história dos homens. Hoje, aquilo que torna impossível a espera é a auto-suficiência, a incapacidade de olhar além de nós mesmos, a não disponibilidade a questionar a afirmação que nós somos o centro da vida e da história;
O anúncio cristão põe em discussão a questão da disponibilidade à abrir-se ao Outro. O homem, de fato, é um ser questionado na raiz do seu ser e isto significa que não encontra a resposta dentro de si, mas o sentido e o fundamento da sua vida encontra-se fora de si.

Procuro Aquele que já me encontrou
A origem de tudo não está o movimento do homem que vá à procura de Deus, mas de Deus que vá à procura do homem. A iniciativa é de Deus. De fato, não é o homem que procura e escolhe a Deus, mas é Deus que procura e escolhe o homem.
1Jo 4, 10: “… não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou”
Jo 15, 16: “Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês”
Este acontecimento, que é a raiz e o específico da experiência cristã, precisa ser acolhido com admiração e gratidão.
Ser amados e acolhidos por Deus, ser chamados amigos de Deus não é uma coisa merecida, mas completamente oferecida desde o começo de tudo.
Fazer memória deste acontecimento é o “coração” da experiência cristã. O cristianismo é reconhecer que Deus te encontrou e te encontra cada dia, é reconhecer que Deus ti ama por primeiro, não pede nada, porque o seu amor tem em si mesmo a sua motivação: Ele ama apesar da nossa resposta.

Jesus: o esperado (Jo 1, 35-39)
As expressões contidas neste trecho do evangelho de São João são muito significativas:
“Eis aí o Cordeiro de Deus”: Ele é o esperado!
“Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram a Jesus”: o desejo os impele!
Jesus virou-se para trás”: Ele está na frente e além!
“O que é que vocês estão procurando?”: é a primeira palavra de Jesus neste Evangelho. Ele é a resposta a qualquer procura.
Rabi, onde moras?”: os discípulos procuram uma intimidade com Ele.
Venham, e vocês verão”: Deus acolhe sempre o homem.
Então eles foram e viram onde Jesus morava”: também pra você existe um lugar.
Eram mais ou menos quatro horas da tarde”: um encontro que marca a vida inteira.

Esperar algo e esperar Alguém
Às vezes trocamos a Espera com as esperas, a Vida com a vida. Acreditamos que a vida seja possuir, ter, rodear-nos de coisas, acreditando assim de estar vivos.
É importante educar-nos à esperar não algo, mas Alguém.
Abrindo-nos ao Outro, que é Deus, também nós hoje se tornará presença, advento.
Os outros precisam ver em nós uma aposta por Deus e pelos irmãos, uma vida gasta por algo de grande.

Filhos do Kairós
São João Crisóstomo (+ 407) falava de duas categorias de pessoas: os filhos do krónos e os filhos do kairós.
Os filhos do krónos, isto é, aqueles que vivem o tempo como algo de repetitivo, de estático, onde não existe nada de novo. Ontem é igual à hoje e hoje é igual ao amanhã: não existe novidade, não existe projeto, não existe perspectiva, não existe meta.
Os filhos do kairós, ou seja, aqueles que vivem o tempo como algo de inédito: não existe dia igual a outro; são aqueles que vivem o tempo como projeto e como perspectiva. O tempo é um dar-se, um acontecer, um passar de Deus.

Meu irmão e minha irmã, o nosso Deus é o “Deus-que-vem”: em cada dia, em todo o tempo e a qualquer hora.
“Deus vem” – lembra-nos a liturgia do Advento. Na língua inglesa, este tempo verbal é chamado de presente contínuo, utilizado para indicar uma ação sempre em ato: aconteceu, acontece agora e voltará a acontecer. Em qualquer momento, “Deus vem”.
Estejamos preparados para acolhê-lo!