Postado Por: Giovanni Crippa Data da Postagem: julho 31, 2018

“O Evangelho da Família, alegria para o mundo”

Entre os dias 12 e 18 de agosto de 2018 será celebrada em todo o Brasil a Semana Nacional da Família, que tem como tema “O Evangelho da Família, alegria para o mundo”, a mesma temática do IX Encontro Mundial das Famílias com o Papa Francisco, que acontece em Dublim, Irlanda, também em agosto.
São várias as ameaças que atingem a família: a prioridade do indivíduo sobre a pessoa e a comunidade; uma sexualidade desligada do amor e do compromisso; a falta de um projeto nacional de política familiar; uma economia e uma sociedade que parecem organizadas contra a família; exploração e desprezo pela vida humana. Por fim, destacamos a tentativa de descriminalizar o aborto através da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental 442/2017 (ADPF 442), proposta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que solicita ao Supremo Tribunal Federal – STF a supressão dos artigos 124 a 126 do Código Penal, que tipificam o crime de aborto, alegando a sua inconstitucionalidade.
É necessário devolver dignidade cultural e centralidade social à família. Ela deve ser trazida de volta ao centro da reflexão, da política e da própria economia, bem como da vida das comunidades cristãs.
A família continua sendo o recurso mais precioso da sociedade, o lugar onde aprendemos a sermos nós-para a construção de uma sociedade mais justa e mais solidária.
A família, primeira célula da Igreja e primeira escola de vida social, é chamada a ser sujeito ativo (cf. AL 200; 287): através da vivência da família como Igreja doméstica; pelo testemunho de santidade quotidiana, vivendo de modo extraordinário as coisas ordinárias; pela relação de ajuda a outras famílias; pela colaboração em grupos, associações, movimentos, eclesiais ou sociais ou culturais, que promovam a vida e a família. A família é chamada a ser protagonista e sujeito da ação evangelizadora na sua insubstituível missão na Igreja e no mundo.
Para isso é necessário superar algumas dificuldades e enfrentar alguns desafios1:
a) O primeiro desafio é passar de uma pastoral sobre a família ou para a família a uma pastoral em família, com a família, da família, de modo que as famílias se tornem sujeitos ativos da pastoral familiar (cf. AL 200; 287).
b) O segundo desafio é passar de uma «pastoral familiar» avulsa, disseminada num conjunto de atividades, a marcar o dia do pai, o dia da mãe, o dia dos avós, o dia das crianças, as bodas de prata e de ouro, a que se juntam a preparação para o batismo e o matrimônio a uma pastoral «familiar» expressão de uma comunidade que se edifica à imagem de uma “família de famílias” (AL 87). Fazer crescer a Paróquia, como “comunidade de comunidades” (DGAE), como uma “família de famílias”, como “casa e escola de comunhão” (São João Paulo II, NMI 43), em que todos se sintam “como em sua casa” (EG 199), a começar pelos mais pobres e frágeis, é talvez o maior desafio que nos espera.
c) O terceiro desafio é fazer da preparação para os sacramentos, sobretudo para o batismo e o matrimônio, um “momento missionário” (Bento XVI), uma oportunidade para o anúncio do Evangelho.
Diante das pessoas que nos procuram para os sacramentos não podemos reduzir nossa resposta à realização de um “curso de preparação” para ser padrinho, para ser crismado, para casar… Mais que funcionários de uma boutique ou vendedores de um vestido já pronto, deveríamos ser “alfaiates”. No âmbito da preparação para o matrimônio, por exemplo, deveríamos oferecer menos cursos e mais percursos, menos burocracia e mais mistagogia, menos psicologia e mais pedagogia, menos moralização e mais evangelização!
d) Há, ainda, lugar para um quarto desafio: encaminhar os casais e os pais, as famílias em geral, na vida comunitária, na catequese e na prática sacramental, para fazer frente a uma fé a la carte, a uma prática subjetiva e intermitente e a uma relação sentimental ou epidérmica com Cristo e a Igreja.
Como Igreja, portanto, precisamos articular uma “evangelização que denuncie, com desassombro, os condicionalismos culturais, sociais, políticos e econômicos, bem como o espaço excessivo dado à lógica do mercado, que impedem uma vida familiar autêntica, gerando discriminação, pobreza, exclusão e violência. Para isso, temos de entrar em diálogo e cooperação com as estruturas sociais, bem como encorajar e apoiar os leigos que se comprometem, como cristãos, no âmbito cultural e sociopolítico” (AL 201).
Que Virgem Maria, Mãe da Igreja, ampare com seu materno amor nossas famílias, obra da criação, para que tenham a força e a coragem de anunciar e testemunhar o “Evangelho da família” nos lares, na comunidade eclesial, no trabalho profissional e na multiforme participação na sociedade civil, para que sejam “sal da terra e luz do mundo”, sinal do Reino de Deus inaugurado por se filho Jesus.

 

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1. PE. AMARO GONÇALO, À alegria do amor e os desafios à Pastoral Familiar, JORNADAS NACIONAIS DA PASTORAL FAMILIAR, Fátima – 23 de outubro de 2016.